quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

DOENÇA

Na mesma rua
No mesmo tempo
O bêbado caminha chorando
O bêbado caminha chutando
As estrelas.

Na mesma rua
No mesmo tempo
As prostitutas caminham xingando
As prostitutas caminham vendendo
Seus corpos.

E cruzam essas esquinas
Esses sinais fechados
Esses bares enlameados.

E no momento perfeito do tiroteio,
A multidão arrasta os corpos
Arrasta frustração, sede de afeição
Rasgando no seio do mundo
Um corte sem dor
Porém corrupto e canceroso.

ESSE SENTIR É A MINHA FORÇA

Esse amor,
Estranho amor de adolescente
Perdura infinitivamente,
Mesmo quando não sinto você em mim.

Poucas vezes
Vejo você inseguro do meu sentir
E esse medo,
Tão escondido
Faz-me forte para enfrentar
Meus próprios medos.

Não tenho vergonha
Das minhas inseguranças,
Nem do meu querer
Viver profundamente em você.

Sei o que desejo
E esse desejo bate no mesmo pulsar
Do seu olhar
Quando me quer.

Não esqueço as minhas dores
Mas não quero fazer dessas dores
A sua dor,
O seu sofrer.

Penso que sei até onde posso ir
E esse caminho,
Não importa em qual estrada,
Nem se chove ou faz sertões,
Escolho fazer junto a você.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

DOENÇA

Na mesma rua
No mesmo tempo
O bêbado caminha chorando
O bêbado caminha chutando
As estrelas.

Na mesma rua
No mesmo tempo
As prostitutas caminham xingando
As prostitutas caminham vendendo
Seus corpos.

E cruzam essas esquinas
Esses sinais fechados
Esses bares enlameados.

E no momento perfeito do tiroteio,
A multidão arrasta os corpos
Arrasta frustração, sede de afeição
Rasgando no seio do mundo
Um corte sem dor
Porém corrupto e canceroso.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Encontro

Ela chegou de mansinho, como quem andava em nuvens, e ele apenas sentiu seu perfume fresco, de rosas se abrindo num dia de abril, depois da breve chuva da madrugada.

Ela tinha um jeito meio assim, quase sonhadora, de menina que brinca pisando em poças de chuva; Ele, meio curtido pelo sol sertanejo, era de poucas palavras, econômico também nos gestos, mas de uma emoção sem tamanho que trancava no peito.

Ele gostava do cheiro da terra úmida, sinal de plantas brotando; Ela preferia o gosto tenro da maçã.

Ela era feita de pele macia, cheia de curvas e fartura; Ele, ossos e couro meio velho, rugoso pelo sol do nordeste.

Ela buscava sonhos e nuvens; Ele, a solidez da sobrevivência.

Ela era música; Ele, silêncio.

Entre eles, a pele em fogo, a química ardente, o gosto do querer.

Foram dois, e no encontro, apenas UM.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

VESTÍGIOS

Quando a noite invade meu quintal
E o silêncio reflete o que trago no peito
Escuto as vozes do vento sussurrando chuva em meus ouvidos.

Nada mais triste que o constante gotejar da solidão
Daquela mulher que vai atravessando pontes,
Em busca daquele que já morreu.

Nada mais triste do que a luz que se finda
Ao último sopro chamejante de vida
Que se esvai em sombras na madrugada vazia.

Enquanto escuto o silêncio imagino vidas
Que se erguem para o sol
E mãos que seguram agulhas e cemitérios.

As janelas se abrem invadindo os cômodos
E soprando vida!

E a mulher se vê no espelho
E conta suas rugas e seus cabelos brancos
E sua boca murcha se abre em sorrisos
Feitos de sal e ferro.

Quem imagina histórias de dor apenas
Não conhece nada.

Ela ri, gargalha, e se vê jovem,
Correndo pelas ruas,
Margaridas em seus cabelos
Vestido branco,
Descalça,
Atrás de um raio de sol.

Seus olhos negros miram o passado distante
E sonham – ainda – com outros mares a desbravar!

Ela admira seu pulsar e sorri – triste e saudosa.
Ela vive, apenas!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Humanidade

Sinto não estar agora,
Nesse exato instante,
Com a sede, a fome
Dos que amam.

Sinto nada sentir
Além do olhar, além da vida
Fuga!
Sonhar, sonhar,
Onde estou?

Terra dos horrores
Morte – destruição!
Como homem, vivo?
Que vida? Que homens?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Muitas vezes tenho refletido e, sem brincadeiras, acho que o mundo não tem mais jeito. E o grande vilão dessa história são as pessoas, principalmente as que se consideram as "mais maravilhosas", as "mais mais" inteligentes, as donas da verdade suprema!

Mas, de repente, acordo para um gesto de gentileza, e PUMBA!!!! volta a esperança e a fé no poder da transformação...

Será ingenuidade????